A
colonização efetiva da Ilha de Santa Catarina
aconteceu a partir de 1748, quando chegaram ao Brasil
os primeiros imigrantes portugueses, vindos dos arquipélagos
de Madeira e Açores - até 1756, desembarcaram
6.500 imigrantes no porto de Desterro. A partir daí
a povoação cresceu. Foram fundadas as
primeiras freguesias - Ribeirão da Ilha, em 1749;
Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, em
1750, e Nossa Senhora das Necessidades de Santo Antônio
de Lisboa, em 1752. Os imigrantes moldaram a Florianópolis
do século XXI à sua semelhança,
com trabalho árduo e seu jeito simples. Ainda
hoje, as marcas da colonização açoriana
estão presentes no cotidiano da cidade. Na arquitetura,
preservada no casario colonial e nas igrejas seculares;
no sotaque, com um jeito cantado de falar; nas expressões
típicas dos nativos; nos segredos do artesanato
das rendeiras e dos oleiros, transmitidos através
das gerações. Mais que o sotaque, a arquitetura
e o artesanato, os descendentes dos açorianos
mantiveram vivas as tradições que preservam
a alma da sua cultura. A religiosidade da Festa do Divino
e dos Ternos-de-Reis, o boi-de-mamão, o pau-de-fita,
as lendas sobre bruxas e assombrações.
Nas comunidades do interior da Ilha de Santa Catarina,
nas comidas, nas farinhadas, nas infusões curativas,
nas simpatias das benzedeiras contra o mau-olhado, nas
histórias de pescadores, ainda é possível
ouvir ecos de um outro tempo, numa outra ilha, portuguesa
com certeza...
Boi
de Mamão
Desde
1998, em espaços públicos, a FCFFC realiza
o Concurso de Boi-de-Mamão de Florianópolis.
As inscrições gratuitas são abertas
a grupos infantis e adultos de Santa Catarina, que concorrem
a prêmios em dinheiro e troféus. Os quesitos
observados pelos jurados são a cantoria (letra
e música), as vestimentas das personagens, a
autenticidade (originalidade), coreografia e evolução,
a animação e a relação com
público. Neste ano, o evento teve a participação
de onze grupos: foram selecionados sete na categoria
adulto e quatro na categoria infantil, sendo esta última
aberta em 2000, tamanho o interesse das crianças
em aprender e participar deste que é um dos mais
antigos folguedos do litoral catarinense. Alguns grupos
surgiram depois de formados nas oficinas oferecidas
pela FCFFC e outros são dissidentes de associações
folclóricas mais antigas. A iniciativa garante
que o folclore se mantenha e a tradição
se perpetue, além de proporcionar mais uma alternativa
para o turismo cultural. O Boi-de-Mamão, de origem
afriacana, é uma encenação que
envolve dança e cantoria em torno do tema épico
da morte e ressurreição de um boi. No
litoral catarinense, o auto incorporou a presença
açoriana através da cantoria e dos instrumentos
musicais. Segundo alguns folcloristas, antigamente,
era chamado de Boi-de-Pano, por causa do material empregado
para confeccionar o bicho. Certa vez, na pressa de fazê-lo,
foi usado um mamão verde para servir de cabeça,
então, batizando a brincadeira. Outros alegam
o fato de o brincante "mamar", beber cachaça,
antes de vestir a fantasia do boi.
Terno-de-Reis
Em
1997, a FCFFC cria o Encontro de Terno de Reis. O evento
anual resgatou uma das mais antigas e populares tradições
religiosas, trazidas ao Brasil pelos jesuítas
e colonizadores portugueses. O Encontro é sempre
realizado no Dia de Reis (6 de janeiro), dentro de uma
das dezenas de igrejas históricas da cidade,
reunindo até 100 cantadores de nove grupos da
Grande Florianópolis e de outros municípios
catarinenses. Com origem na passagem bíblica
em que os Reis Magos viajam durante dias para presentear
e adorar o Menino-Deus, o Terno de Reis é mais
conhecido nas cidades litorâneas. Grupos de até
cinqüenta pessoas – formando corais e tocando
sanfona, violão, viola, rabeca, pandeiro e tambor
– acordavam os moradores em frente às usas
residências durante a madrugada e arrecadavam
donativos para as novenas em homenagem ao nascimento
de Cristo. Improvisavam versos para o dono da casa visitada
ou alusivos aos Reis Magos, contando a história
da Estrela Guia. Em seguida, partiam para outra residência.
Pau-de-Fita
A
Dança do Pau-de-Fita, no folclore catarinense,
é apresentada por vários grupos, cuja
formação étnica é responsável
pela diversificação da nossa cultura popular.
De origem portuguesa, encontramo-la associada à
Dança dos Arcos de Flores e a Jardineira. De
origem alemã e hispânica, nos grupos folclóricos
teutos e nas danças típicas dos campos.
São Francisco do Sul, apresenta o Pau-de-Fita
de origem portuguesa. É uma apresentação
das mais lindas do nosso folclore, em grupos pares,
de oito a doze, por damas e cavalheiros que ao som da
música, dançam e cantam em torno de um
mastro que traz na ponta superior um passarinho empalhado,
de onde saem fitas de várias cores. Ao compasso
da apresentação as fitas vão sendo
trançadas e depois destrançadas, dando
ao espectador um belíssimo visual. A Dança
da Fita é desenvolvida da seguinte maneira: é
colocado no centro um mastro chamado pau-de-fita de
aproximadamente 3m de altura com doze fitas (duas vermelhas,
duas verdes, duas amarelas, duas azuis, duas rosas e
duas azul marinho). Ao lado do mastro, formam-se duas
filas, do lado direito os homens e do esquerdo as mulheres.
Na cabeceira das duas filas fica o mestre e num sinal
feito através do apito tem início a dança.
O primeiro movimento é conhecido como preparação
da terra para o plantio da árvore. No segundo
movimento os dançadores cruzam as fitas, que
significa a escolha da semente. No terceiro movimento
inicia-se a semeadura. No quarto já se percebem
as tranças formadas em um total de cinco trançados
diferentes que simbolizam as raízes. Quando o
mastro fica totalmente coberto pelas tranças,
os adultos são substituídos pelas crianças
que irão realizar a destrança. As crianças
simbolizam as folhas da árvore. Quando termina
o movimento executado pelas crianças o mastro
é transformado simbolicamente em belíssima
árvore, sendo este o final da dança.
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