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Florianópolis sábado, 04 de setembro de 2010 - 22:37
 

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Cultura Açoriana:
 


A colonização efetiva da Ilha de Santa Catarina aconteceu a partir de 1748, quando chegaram ao Brasil os primeiros imigrantes portugueses, vindos dos arquipélagos de Madeira e Açores - até 1756, desembarcaram 6.500 imigrantes no porto de Desterro. A partir daí a povoação cresceu. Foram fundadas as primeiras freguesias - Ribeirão da Ilha, em 1749; Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, em 1750, e Nossa Senhora das Necessidades de Santo Antônio de Lisboa, em 1752. Os imigrantes moldaram a Florianópolis do século XXI à sua semelhança, com trabalho árduo e seu jeito simples. Ainda hoje, as marcas da colonização açoriana estão presentes no cotidiano da cidade. Na arquitetura, preservada no casario colonial e nas igrejas seculares; no sotaque, com um jeito cantado de falar; nas expressões típicas dos nativos; nos segredos do artesanato das rendeiras e dos oleiros, transmitidos através das gerações. Mais que o sotaque, a arquitetura e o artesanato, os descendentes dos açorianos mantiveram vivas as tradições que preservam a alma da sua cultura. A religiosidade da Festa do Divino e dos Ternos-de-Reis, o boi-de-mamão, o pau-de-fita, as lendas sobre bruxas e assombrações.

Nas comunidades do interior da Ilha de Santa Catarina, nas comidas, nas farinhadas, nas infusões curativas, nas simpatias das benzedeiras contra o mau-olhado, nas histórias de pescadores, ainda é possível ouvir ecos de um outro tempo, numa outra ilha, portuguesa com certeza...

Boi de Mamão
Desde 1998, em espaços públicos, a FCFFC realiza o Concurso de Boi-de-Mamão de Florianópolis. As inscrições gratuitas são abertas a grupos infantis e adultos de Santa Catarina, que concorrem a prêmios em dinheiro e troféus. Os quesitos observados pelos jurados são a cantoria (letra e música), as vestimentas das personagens, a autenticidade (originalidade), coreografia e evolução, a animação e a relação com público. Neste ano, o evento teve a participação de onze grupos: foram selecionados sete na categoria adulto e quatro na categoria infantil, sendo esta última aberta em 2000, tamanho o interesse das crianças em aprender e participar deste que é um dos mais antigos folguedos do litoral catarinense. Alguns grupos surgiram depois de formados nas oficinas oferecidas pela FCFFC e outros são dissidentes de associações folclóricas mais antigas. A iniciativa garante que o folclore se mantenha e a tradição se perpetue, além de proporcionar mais uma alternativa para o turismo cultural. O Boi-de-Mamão, de origem afriacana, é uma encenação que envolve dança e cantoria em torno do tema épico da morte e ressurreição de um boi. No litoral catarinense, o auto incorporou a presença açoriana através da cantoria e dos instrumentos musicais. Segundo alguns folcloristas, antigamente, era chamado de Boi-de-Pano, por causa do material empregado para confeccionar o bicho. Certa vez, na pressa de fazê-lo, foi usado um mamão verde para servir de cabeça, então, batizando a brincadeira. Outros alegam o fato de o brincante "mamar", beber cachaça, antes de vestir a fantasia do boi.

Terno-de-Reis
Em 1997, a FCFFC cria o Encontro de Terno de Reis. O evento anual resgatou uma das mais antigas e populares tradições religiosas, trazidas ao Brasil pelos jesuítas e colonizadores portugueses. O Encontro é sempre realizado no Dia de Reis (6 de janeiro), dentro de uma das dezenas de igrejas históricas da cidade, reunindo até 100 cantadores de nove grupos da Grande Florianópolis e de outros municípios catarinenses. Com origem na passagem bíblica em que os Reis Magos viajam durante dias para presentear e adorar o Menino-Deus, o Terno de Reis é mais conhecido nas cidades litorâneas. Grupos de até cinqüenta pessoas – formando corais e tocando sanfona, violão, viola, rabeca, pandeiro e tambor – acordavam os moradores em frente às usas residências durante a madrugada e arrecadavam donativos para as novenas em homenagem ao nascimento de Cristo. Improvisavam versos para o dono da casa visitada ou alusivos aos Reis Magos, contando a história da Estrela Guia. Em seguida, partiam para outra residência.

Pau-de-Fita
A Dança do Pau-de-Fita, no folclore catarinense, é apresentada por vários grupos, cuja formação étnica é responsável pela diversificação da nossa cultura popular. De origem portuguesa, encontramo-la associada à Dança dos Arcos de Flores e a Jardineira. De origem alemã e hispânica, nos grupos folclóricos teutos e nas danças típicas dos campos. São Francisco do Sul, apresenta o Pau-de-Fita de origem portuguesa. É uma apresentação das mais lindas do nosso folclore, em grupos pares, de oito a doze, por damas e cavalheiros que ao som da música, dançam e cantam em torno de um mastro que traz na ponta superior um passarinho empalhado, de onde saem fitas de várias cores. Ao compasso da apresentação as fitas vão sendo trançadas e depois destrançadas, dando ao espectador um belíssimo visual. A Dança da Fita é desenvolvida da seguinte maneira: é colocado no centro um mastro chamado pau-de-fita de aproximadamente 3m de altura com doze fitas (duas vermelhas, duas verdes, duas amarelas, duas azuis, duas rosas e duas azul marinho). Ao lado do mastro, formam-se duas filas, do lado direito os homens e do esquerdo as mulheres. Na cabeceira das duas filas fica o mestre e num sinal feito através do apito tem início a dança. O primeiro movimento é conhecido como preparação da terra para o plantio da árvore. No segundo movimento os dançadores cruzam as fitas, que significa a escolha da semente. No terceiro movimento inicia-se a semeadura. No quarto já se percebem as tranças formadas em um total de cinco trançados diferentes que simbolizam as raízes. Quando o mastro fica totalmente coberto pelas tranças, os adultos são substituídos pelas crianças que irão realizar a destrança. As crianças simbolizam as folhas da árvore. Quando termina o movimento executado pelas crianças o mastro é transformado simbolicamente em belíssima árvore, sendo este o final da dança.
   


 

 
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